
Fazia meses, tempo demais que eu tentava encontrar algo que eu quisesse e conseguisse tornar real. Isso, isso foi a dois anos, dois longos anos atrás. Um objetivo que fosse... Eu precisava realizar o meu objetivo qualquer. Já que todos os reais falhavam. Eu comecei a caminhar pela praia carregando nas costas o meu objetivo ridículo, que eu tinha plena consciência do quão ridículo era. Chegar até a outra praia e ver o que tinha lá. Era só isso que eu queria. Até o momento em que a exaustão começou a me arrastar e lágrimas tão salgadas quanto à água do mar que batia nos meus pés, começaram a se jogar pela minha cara. Eu afastei as lágrimas o máximo que eu pude e reequilibrei a minha única verdade, o meu objetivo ridículo. Meu corpo gritava que não era hora do objetivo, ele dizia nitidamente que estava desgastado e dolorido, rajadas de dor passavam pela minha perna e secavam a minha garganta ainda mais. Eu parei de tentar impedir a lágrima e explodi com todas as emoções, eu corri pra ver se eu conseguia chegar lá, ainda estava tudo muito... Muito longe. Longe demais. Eu me reequilibrei sobre os pés e fui andando o quanto dava, no tempo que dava e meus pais começaram a insistir pra voltar. Eu implorei. Eu chorei. Eu supliquei. Tive que voltar. Eu explodi num turbilhão de emoções, lágrimas e ódio. Em meio a tanta tristeza, eu juntei a força que me restava e corri o máximo que eu pude do caminho de volta.
O vento cortante batia no meu rosto, enquanto as lágrimas me faziam desidratar ainda mais com a água do mar e eu desabei, eu caí com tudo que eu tinha naquela água gelada e salgada do mar. Eu levantei a cabeça e coração e joguei os dois no céu. Eu respirei fundo e tentei me levantar, com algumas tentativas falhas e reclamações de fome do meu estomago, tudo ficou mais complicado. Eu não dei importância e levantei o que ainda restava de mim. Eu e meu vestido violeta que estava jogado em cima do meu biquíni. Biquíni ridículo. Praia ridícula. Vida ridícula. Eu andei o resto do caminho de volta e me contorci de dores por uns dois dias, da maldita caminhada e foi aí que eu desisti de vez de querer algo e realmente ter... Eu nunca esqueci a crueldade da natureza naquele dia. O maldito vento cortante, a areia dolorosa, a água salgada e aquele maldito horizonte absolutamente lindo e perfeito, me deixando mais e mais infeliz. Feia e infeliz, diante de toda aquela beleza. Eu recolhi as minhas forças e decidi que tão cedo eu não iria explodir daquele jeito de novo, emoções demais. Emoções erradas demais. Ou seja lá o que aconteceu ali. É por isso que eu guardo para mim, tudo. Eu não pretendo deixar que me vejam perto disso de novo, aos que querem saber, estou sempre bem. Aos que não querem, eu ando me quebrando em pedacinhos. Uma dica? Nunca, nunca estabeleçam objetivos que não dependam TOTALMENTE de você.
Essa é uma das cenas que eu não sei se um dia, vou esquecer.
See ya.
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