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Mostrando postagens de 2019

Gotta find me.

Sinto que fiz um trabalho muito bom em decidir quem eu sou, o que eu gosto, como eu me satisfaço, quais as minhas predileções, quais os meus desgostos. Passei a adolescência imersa em livros, poesias, ócio, seriados, filmes e relações intensas. No meio de tudo isso, ficou claro como cristal as perguntas existenciais que um dia eu tanto me fiz. Encontrei formas de ficar satisfeita e até um pouco enamorada das partes de mim. Mas... Incompreensivelmente... Fiquei pelo meio do caminho. Me perdi. Deixei de ser como eu era pra ser da forma que eu "precisava ser": corre, corre, corre. Meu ócio foi tirado de mim, a vida se tornou mar agitado e terremoto. Ficou remota a possibilidade de permanecer na intensidade que tanto era EU. Como eu faço pra ser eu rápido? Como eu faço pra fazer manutenção no meio da impermanência? As pessoas não têm tempo. Correm todas de um lado para o outro. E no meio do furacão... Eu me pergunto se é possível construir aquele mesmo vínculo intenso do dia a ...

O trauma interrompido

Ódio. Ódio. ÓDIO. Ódio desse raciocínio da criança morrendo de fome na África. Em que momento os seres-humanos começaram a ficar tão desprovidos de bom-senso que começaram a pensar: "Ahá, sabe o que vai fazer aquela pessoa se sentir melhor? Saber que tem gente morrendo de fome, saber que tem gente que mata crianças acidentalmente, saber que tem gente que não tem emprego...". Será que eu sou a única pessoa do mundo que não encontro alegria na desgraça alheia? E pior: se a intenção não for fazer a outra pessoa melhorar, só pode ser então a de emprestar a pá pra pessoa cavar o fundo da sua própria cova. -'Eis o relato de que está uma merda' -'Relato de crianças morrendo na África' -Então cavo o túmulo? -Isso!! A vida é uma merda. Toma aqui a pá. SINCERAMENTE. Quando foi que deu errado? Parece a competição pela pior desgraça. Consolo zero, empatia zero. ZERO. ZERO. ZERO. E culpa e responsabilização voando para todos os lados... Faça oração, faça donativo...

Os ladrões de arco-íris

Quando eu era pequena eu li um livro "Câmera na mão e o Guarani no coração" e hoje me peguei pensando como seria esse título reescrito hoje: "Celular na mão e onde está meu coração?" - talvez fosse esse. Já não percebemos mais os mecanismos de controle. "Ah, eu amo dançar". Aí sempre tem aquele amigo "pois faz aula de dança que é bom pra saúde". Lá vai você: aula de ballet, aula de jazz, fit dance. E onde foi parar o dançar em frente ao espelho? Ficar horas com seu fone de ouvido pulando, dançando e cantando sem regras e sem aulas. Alguém sabe onde ele anda? São regras por todos os lados. Até nas nossas aulas de dança. Houve um tempo em que as coisas eram feitas por prazer? "Ah, eu gosto de correr na praia". Aí lá vem: "compra um relógio daqueles mais modernos que mede quantos quilômetros você correu e quantas calorias você perde". Controle. Controle. Controle. E mais regras. Tudo que a gente ama vira trabalho. "O...

O que é, pra mim, sobreviver?

-Assim, de supetão? -(...) -É ter tudo que eu preciso, mesmo que eu não possa ter o que quero. -(...) Um dia já foi escuro. Ao redor do futuro havia lástima e, no presente, lágrimas. Entrei num oceano com um barquinho à lá Moana e ninguém (nem eu) sabia o quanto eu poderia ir. Mas, eu fui. Perdi pedaços do barco, nadei, parei em ilhas desertas e acabei chegando. Por incrível que pareça, eu cheguei no mesmo lugar. Mas nada era mais igual. Eu era outra, tinha outro barco e, dessa vez, eu não queria ir para lugar nenhum. Encontrei luz para o breu de escuridão de outrora. Até quando durarão as velas? Ah, sim. Eu deveria falar de sobrevivência. Sobre. Vivência. Viver por cima. Acima há luz, me parece. Se eu conto até três para definir sobrevivência, eu penso: pessoas, pessoas, pessoas. Se eu continuo contando: cinema, livros (que saudade!), estudos (espero o dia!), seriados, massagens, academia, passeios, cachorros e a lista vai se desenhando. Se desenha com necessidades que mantém...