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O que é, pra mim, sobreviver?

-Assim, de supetão?
-(...)
-É ter tudo que eu preciso, mesmo que eu não possa ter o que quero.
-(...)

Um dia já foi escuro. Ao redor do futuro havia lástima e, no presente, lágrimas. Entrei num oceano com um barquinho à lá Moana e ninguém (nem eu) sabia o quanto eu poderia ir. Mas, eu fui. Perdi pedaços do barco, nadei, parei em ilhas desertas e acabei chegando. Por incrível que pareça, eu cheguei no mesmo lugar. Mas nada era mais igual. Eu era outra, tinha outro barco e, dessa vez, eu não queria ir para lugar nenhum. Encontrei luz para o breu de escuridão de outrora.

Até quando durarão as velas?

Ah, sim. Eu deveria falar de sobrevivência. Sobre. Vivência. Viver por cima. Acima há luz, me parece. Se eu conto até três para definir sobrevivência, eu penso: pessoas, pessoas, pessoas. Se eu continuo contando: cinema, livros (que saudade!), estudos (espero o dia!), seriados, massagens, academia, passeios, cachorros e a lista vai se desenhando. Se desenha com necessidades que mantém as velas acesas. O frio da solidão de mim mesma nunca conseguiu ser apagado pelo chá quente. Mas o calor da completude parece poder ir embora por qualquer chá derramado.

Será que os pedaços do barco antigo me encontrarão novamente?

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