N ão quero te lembrar em coisas ou em letras de músicas, não quero presentes, nem momentos, nem lembranças, nem mágica, nem tango espanhol... Tantas coisas não quero. Mas tem uma coisa que quero. Quero esbarrar com você num café e tomar o chá com bolachas mais desconfortável da minha vida. Quero te encontrar numa rua por acaso, acidente, descaso ou falta de sorte. Quero sorrir quando te ver e não te abraçar. Quero dizer que senti sua falta todos os dias, quando só senti em três e nem sequer sentir culpa de te ter como lembrança borrada de passado bomruim! E quero responder que foi "interessante" ou "érh... normal" quando perguntarem como foi. Mas ninguém saberia como foi incômodo e detestável em cada minuto. Porque ninguém entenderia porque ficamos ali se nem ao menos gostávamos de bolachas ou de cafeterias. E a música estava alta e errada, a mesa torta, a cadeira velha, o cheiro úmido e o tempo em falta... Cada minuto que ficamos em silêncio e dissemos frases sol...