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Mostrando postagens de 2020

Minha história

 "Não pode". Ok, não pode. De alguma forma foi assim que começou um texto que é pra falar sobre mim. Vim aqui hoje pra te contar a minha história. E acho que esse impulso inicial faz sentido pra nossa história. Parece mesmo que não pode e nunca pôde. E eu nem sei se vou saber te explicar direitinho. Mas vou tentar. Sempre fui muito intensa e muito sensível. Quando coloco essas palavras sinto que me caem como uma luva. Pró-atividade e sobrevivência também são adjetivos que podem contribuir. Mas acho melhor eu começar a tecer uma rede entre esses pontos antes que convidemos o caos, correto? Eu acho que sempre senti uma pressão imensa pra ser perfeita. Não o mundo, mas eu. E pasme: não era muito difícil pra mim. Facilmente eu conseguia seguir as regras, tirar dez, ser uma pessoa agradável. E, quando eu saia dos trilhos, estava tudo bem. Afinal, na maioria do tempo manter a perfeição nos compra algumas fichas de surtos necessários. Estou aqui, com meus 25 anos, escrevendo esse te...

Estou presa

Se eu pudesse descrever a vida adulta em uma frase, seria essa: sinto-me presa. Enjaulada, sem data de saída do xilindró, sem absolvição e sem perguntas respondidas. Nada do que eu faço eu gostaria de parar de fazer, isso é bem verdade. Mas as horas do relógio funcionam como uma jaula e não há planejamento no mundo que consiga domar esse leão. É pra hoje, é pra ontem, é pra daqui a 60 dias. E nada é decidido por mim. Nada pode ser como eu quero. O trabalho não pode parar. A reforma não pode parar. Os meses não podem parar. Os amigos não podem parar. Nada pode parar. E, por consequência: nem eu. A hora do trabalho emenda com a da reforma que emenda com a de fazer o almoço que emenda com a amiga no whatsapp que emenda com a festa de aniversário que emenda com o banho dos cachorros que emenda com o jantar com meus pais que sai emendando com o que mais tiver pela frente. E o resultado é uma frase enorme, sem pausas e cheia de intercorrências. Não é muito trabalho, de fato... mas é muita co...

Uns bla-bla-blás da pandemia

Fazem praticamente 72 horas que eu estou deitada. E há uma voz que sussurra, quase como uma ordem, que eu deveria levantar, eu deveria corrigir os trabalhos que estão se acumulando, eu deveria fazer tantas coisas. E eu aqui: deitada. Televisão acesa, seriado passando, comida quando dá e quando eu bem tenho vontade, celular com jogos inúteis nas mãos. E, por mais que os pensamentos do tipo "deveria" sejam considerados erros cognitivos, nesse caso, creio que a maioria das pessoas concordaria que eles estão corretos. E outras pessoas - ou até essas mesmas pessoas, podem crer que eu esteja deprimida ou coisa parecida pelo ritmo doença-terminal-crônica que esse texto começou. Mas tem algo sobre esse ritmo que é viciante, entorpecente, profundo, trôpego e reconfortante. Eu me reconheço, me monto e me desmonto nele - me crio, me reviro, me refaço, me desfaço, me curo e me adoeço. É tudo muito eu. É um bêbado caindo na calçada no pior dia da sua vida e a pessoa mais feliz do mundo da...