Se eu pudesse descrever a vida adulta em uma frase, seria essa: sinto-me presa. Enjaulada, sem data de saída do xilindró, sem absolvição e sem perguntas respondidas. Nada do que eu faço eu gostaria de parar de fazer, isso é bem verdade. Mas as horas do relógio funcionam como uma jaula e não há planejamento no mundo que consiga domar esse leão. É pra hoje, é pra ontem, é pra daqui a 60 dias. E nada é decidido por mim. Nada pode ser como eu quero.
O trabalho não pode parar. A reforma não pode parar. Os meses não podem parar. Os amigos não podem parar.
Nada pode parar.
E, por consequência: nem eu.
A hora do trabalho emenda com a da reforma que emenda com a de fazer o almoço que emenda com a amiga no whatsapp que emenda com a festa de aniversário que emenda com o banho dos cachorros que emenda com o jantar com meus pais que sai emendando com o que mais tiver pela frente. E o resultado é uma frase enorme, sem pausas e cheia de intercorrências. Não é muito trabalho, de fato... mas é muita coisa. É coisa demais.
E, sinceramente, eu não sei como aliviar essa carga. Só sigo tentando me manter viva e funcionando. E reconheço que isso é o melhor que eu posso fazer no momento. É o meu máximo. Talvez não seja suficiente pra proposta de agora... Mas, honestamente, fazer o quê?
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