Hoje acordei querendo. Querendo deixar de querer tudo que eu já quis, pra tirar o peso das costas e o nó da garganta, pra desentalar. Acordei sem querer querer você. Acordei sem querer, em ambos os sentidos. E decidi querer tudo novo, mas acabei querendo tudo de novo. Era como esvaziar, passar a borracha, começar do zero. Medo? Talvez, como quando você descobre que o leite estava estragado, daí tenta concertar e o ovo também estava podre. Não há mais o que fazer, joga tudo fora e começa fazer o bolo outra vez. Esquece as cartas, os telefonemas, esquece o nome, o endereço, esquece o melhor perfume do mundo e começa a fazer a vida de novo. Só era difícil esquecer o beijo e o cheiro da pele. Esquecer o riso e a saudade amarga do céu da boca. E por isso, eu resolvi desejar tudo que eu sempre quis e nunca fiz. Eu desejei aventuras e desejo e desejarei. E digo quais são, porque não escondo mais nada, dou-lhe a cara a tapas. Estava tudo podre, joguei tudo no lixo, o que de fato, eu tenho a p...