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Mostrando postagens de abril, 2020

Uns bla-bla-blás da pandemia

Fazem praticamente 72 horas que eu estou deitada. E há uma voz que sussurra, quase como uma ordem, que eu deveria levantar, eu deveria corrigir os trabalhos que estão se acumulando, eu deveria fazer tantas coisas. E eu aqui: deitada. Televisão acesa, seriado passando, comida quando dá e quando eu bem tenho vontade, celular com jogos inúteis nas mãos. E, por mais que os pensamentos do tipo "deveria" sejam considerados erros cognitivos, nesse caso, creio que a maioria das pessoas concordaria que eles estão corretos. E outras pessoas - ou até essas mesmas pessoas, podem crer que eu esteja deprimida ou coisa parecida pelo ritmo doença-terminal-crônica que esse texto começou. Mas tem algo sobre esse ritmo que é viciante, entorpecente, profundo, trôpego e reconfortante. Eu me reconheço, me monto e me desmonto nele - me crio, me reviro, me refaço, me desfaço, me curo e me adoeço. É tudo muito eu. É um bêbado caindo na calçada no pior dia da sua vida e a pessoa mais feliz do mundo da...