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Mostrando postagens de 2011

Cada palavra

Ela sentia que morava em um livro debaixo de chuva. Pois cada palavra tinha vida e peso, causavam lágrimas. Não existia frase sem triplo sentido ou dia sem carência. E com a "comumisse" das coisas, ela precisava de novas definições para não enlouquecer. Talvez ela só precisasse aprender a viver sozinha, solitária e indiferente. Ou esquecer os sinônimos e antônimos de tudo que sentia. Ou esquecer a metodologia científica de fazer comparações, elas poderiam ser as culpadas de tudo. E ela sentava no batente quase-inexistente da escada, com um caderno sobre as pernas e a alma escondida debaixo do chão... Só para escrever o que sentia. Para não passar em vão. Ver tudo tomar a forma de palavras. Ver tudo ter uma-forma-qualquer. Ela só queria existir com a maior intensidade que pudesse.  Ela quer rir.  Quem sabe, o que ela sentisse tivesse nome: desespero. Ela queria tanto o eterno, puxar de volta todos os momentos bons, mas não ser dependente química de cada um deles.

Acordei achando tudo indiferente

Assim mesmo, que nem a Ana Carolina.  Eu te vi passando, eu te achei bonito. Eu me vi pensando, me senti traída. Na confusão da coisa-toda, eu ainda aumento a confusão. Mas eu não quero pensar mais nada, eu não quero mais nada, aliás. Se tudo faz eu me sentir culpada, melhor o nada que não traz nada e nem causa mal. Nem causa bem, nem causa nada. Porque é nada, vácuo, vazio e perfeição na ausência de si mesmo. Eu vivo bem no excesso e vivo bem na ausência. Mas com as opções, eu sobrevivo. Eu sou a bonequinha perfeita de um sistema ditatorial, obediência cega, sim senhor. Sem opções. Excesso ou falta. Mas a minha mente é um monstro, uma fuga, uma louca varrida e embriagada, que quer escapar, fugir, pensar, criar opções e momentos... Pensar em tudo, refletir até mesmo sobre o nada. Estar aqui escrevendo isso é prova concreta, não-abstrata. A respiração é a ausência é tudo que te sobra quando você não tem mais nada e foi assim que você me deixou. Que eu me deixei por tua causa, ...

Confissão

Hoje eu contei pro meu coração que eu queria me apaixonar, sem querer, até dei umas dicas de "por quem". E ele me disse de um jeito tão bonito que eu sou melhor em terminar as coisas para sempre do que fazer com elas durem para sempre, que eu não deveria fazer isso, que algumas pessoas são sozinhos por motivos... Que nem doeu. (Não muito, pelo menos)