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Acordei achando tudo indiferente

Assim mesmo, que nem a Ana Carolina. 

Eu te vi passando, eu te achei bonito. Eu me vi pensando, me senti traída. Na confusão da coisa-toda, eu ainda aumento a confusão. Mas eu não quero pensar mais nada, eu não quero mais nada, aliás. Se tudo faz eu me sentir culpada, melhor o nada que não traz nada e nem causa mal. Nem causa bem, nem causa nada. Porque é nada, vácuo, vazio e perfeição na ausência de si mesmo. Eu vivo bem no excesso e vivo bem na ausência. Mas com as opções, eu sobrevivo. Eu sou a bonequinha perfeita de um sistema ditatorial, obediência cega, sim senhor. Sem opções. Excesso ou falta. Mas a minha mente é um monstro, uma fuga, uma louca varrida e embriagada, que quer escapar, fugir, pensar, criar opções e momentos... Pensar em tudo, refletir até mesmo sobre o nada. Estar aqui escrevendo isso é prova concreta, não-abstrata. A respiração é a ausência é tudo que te sobra quando você não tem mais nada e foi assim que você me deixou. Que eu me deixei por tua causa, na verdade. E hoje eu tenho mais do que ar, eu tenho pulso que ainda pulsa forte. Eu tenho causa, motivo e consequência. Eu não sei se eu tenho princípio e fim, mas eu tenho meio e meios. E modos, se você quer saber. Eu não sei se eu tenho escolha, individual e inquestionável como eu tinha antes. Quando eu não tinha nada, naquela coisa toda que me roubou meu tudo. Mas eu tenho alguma coisa misteriosa que eu estou descobrindo o que é.

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