-Eu vou lá! Não, não tenta me impedir, Luís. Eu vou lá. -Cara, o que é que você pretende fazer? Se nem os médicos conseguiram... -Luís, aquele filho da mãe, segurou meu peitoral com o braço. Eu agradeceria a ele depois. -Eu fiz isso. A culpa é minha, eu sou o monstro que colocou ela lá. Eu tenho que ser quem vai tirar ela... quem vai salvar... Mas era inevitável. As máquinas pararam, o quarto esvaziou, os médicos repetiam pêsames e desculpas, o coração dela, tão acelerado, nunca mais iria acelerar, nunca mais iria bater. Eu não ia ver o peito dela inchar de ar quando nos empolgávamos com os beijos. E a culpa era minha. E eu nem conseguia chorar. Porque eu não consigo chorar? Luís me empurrou até a porta do quarto, mas eu não podia me mecher. A verdade era essa, eu nem sequer conseguia piscar. -Vai lá. Diz adeus, cara. Eu entrei no quarto claustrofóbico, cheirava a éter, mas a pele dela ainda cheirava a ela. Os lábios quentes eram frios e eu não pude suportar, senti uma única lágri...