Você era agitado, animado, era 90%. Você era vermelho. Eu? Ah, meu amor, sublime amor... Eu era o branco. Eu era calma, escondida, eu era 10%, você só via 10%. Pra mim, eu era a calmaria do fim de tarde do teu mar turbulento de ondas altas, pro resto do mundo era a incompatibilidade total com um camada final de teimosia minha. Eu me apagava no meio da multidão, ela cercava você e te jogava beijos. Eu gritava seu nome num impulso e mesmo que você olhasse, eu era pequena demais pra enxergar você naquele mar de gente. Você nadava num mar de ondas, você se cobria de amor. Eu era empurrada pra beira da praia, eu sempre me encontrava de volta à areia, eu não conseguia lutar contra as ondas. Eu não tinha forças, eu era pequena. Até que um dia, você abriu caminho no meio da multidão e me estendeu sua camisa vermelha que se enrolou na minha pele branca. Molhado, colado e grudado. Eu sorri um sorriso sem cor e você respondeu com um abraço de dor. Era isso, era por isso que você era vermelho, você era um coração pulsante. E você tinha medo de me quebrar, porque eu era sangue congelado, eu precisava de calor. Mas, sem querer, você me deu cor e eu parei de ser branco, eu virei mistura. Eu respirei alto, eu pulei a maior onda e não me importei quando a outra me fez engolir água salgada. Eu apertei sua mão com força e você me segurou por meio minuto, dizendo, sem precisar dizer: "Não vá, fique". Mas passou. Será que agora eu posso ir? Eu ainda sinto o gosto do teu beijo vermelho na minha pálida boca branca. Eu ainda vejo seu olho brilhando e eu pensando: "Vermelho também é perigo, mas meu amor! Quem disse que eu ligo?". Eu não liguei por meio minuto e você não ligou. Você algum dia vai ligar? Cinco palavras bobas em ordem, uma atrás da outra. Trezentos e sessenta e cinco dias de repetição. Some os dois e será o gosto amargo de sem resposta que eu provo, que você vai obter.
Deixa eu te enrolar no meu abraço branco? Pra apagar um pouco do teu vermelho... Eu deixo você me envolver nele até meu branco sumir. Eu deixo a gente misturar até tudo ser rosas. São duas tintas, é um desafio, se não misturar, a tinta estraga.
Ops.
Deixa eu te enrolar no meu abraço branco? Pra apagar um pouco do teu vermelho... Eu deixo você me envolver nele até meu branco sumir. Eu deixo a gente misturar até tudo ser rosas. São duas tintas, é um desafio, se não misturar, a tinta estraga.
Ops.

Comentários
Postar um comentário