Eu não entendo as manias. Tenho muitas, mas não entendo. Às vezes me parecem pequenas ironias voadoras, eu, que odeio repetições com todas as forças, cheia de manias. E manias, para serem manias, tem que ser algo rotineiramente repetitivo. Algo tão irritantemente necessário que precisa-se fazer mais de uma vez. Mas sabe, eu tenho mania de você. Eu tenho mania de comer sorvete e pudim direto do pote e da forma, respectivamente. Eu tenho mania de fazer listinhas antes de fazer qualquer coisa, porque a minha memória não presta? Não que eu ache que isso fosse me impedir de fazer minhas listinhas. Mas whatever. Eu tenho mania de escrever (bom dia, constatação óbvia! A quanto tempo não nos víamos, huh?). Eu tenho mania de sentar no chão com as famosas perninhas de índio da infância feliz. Eu tenho mania de riscar qualquer pedacinho de papel ao alcance dos dedos. Eu tenho mania de comer gelo, cubos e cubos e cubos, e todos os outros formatos. Eu tenho mania de falar em círculos e testar se a pessoa me conhece o suficiente pra achar as coordenadas do centro e quem sabe, até o raio (eu devo estar mal, muito mal, pra citar geometria, kill me now!). Eu tenho mania de sucos e chá, favoritos, repetitivos, enfim (é bem estranho, mas com o tempo dá pra se acostumar, eu acho). Enfim, eu tenho muitas manias.
Mas eu tenho mesmo é mania de você. Você, sem nome, idealizado, que já ganhou tantos rostos, que segurou minha mão, que está destinado a ser o pai dos meus filhos, que vai me fazer feliz, que será suficiente. Mania, mania! Mania de você.
Agora, eu só preciso descobrir teu nome, endereço e telefone. Só isso, mais nada.

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