Ela sentia que morava em um livro debaixo de chuva. Pois cada palavra tinha vida e peso, causavam lágrimas. Não existia frase sem triplo sentido ou dia sem carência. E com a "comumisse" das coisas, ela precisava de novas definições para não enlouquecer. Talvez ela só precisasse aprender a viver sozinha, solitária e indiferente. Ou esquecer os sinônimos e antônimos de tudo que sentia. Ou esquecer a metodologia científica de fazer comparações, elas poderiam ser as culpadas de tudo.
E ela sentava no batente quase-inexistente da escada, com um caderno sobre as pernas e a alma escondida debaixo do chão... Só para escrever o que sentia. Para não passar em vão. Ver tudo tomar a forma de palavras. Ver tudo ter uma-forma-qualquer. Ela só queria existir com a maior intensidade que pudesse.
Ela quer rir.
Quem sabe, o que ela sentisse tivesse nome: desespero. Ela queria tanto o eterno, puxar de volta todos os momentos bons, mas não ser dependente química de cada um deles.
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