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Os ladrões de arco-íris

Quando eu era pequena eu li um livro "Câmera na mão e o Guarani no coração" e hoje me peguei pensando como seria esse título reescrito hoje: "Celular na mão e onde está meu coração?" - talvez fosse esse. Já não percebemos mais os mecanismos de controle.

"Ah, eu amo dançar". Aí sempre tem aquele amigo "pois faz aula de dança que é bom pra saúde". Lá vai você: aula de ballet, aula de jazz, fit dance. E onde foi parar o dançar em frente ao espelho? Ficar horas com seu fone de ouvido pulando, dançando e cantando sem regras e sem aulas. Alguém sabe onde ele anda? São regras por todos os lados. Até nas nossas aulas de dança.

Houve um tempo em que as coisas eram feitas por prazer?

"Ah, eu gosto de correr na praia". Aí lá vem: "compra um relógio daqueles mais modernos que mede quantos quilômetros você correu e quantas calorias você perde". Controle. Controle. Controle. E mais regras. Tudo que a gente ama vira trabalho.

"O ideal é ler um capítulo de livro por dia". "Que tal ler um livro todo mês, que aí ficam doze por ano...". "Se você estudar 7 horas todos os dias, dá certo".

Será que em algum momento a gente perdeu a capacidade de acreditar na gente? Acreditar que nós vamos ler, estudar, dançar, correr e trabalhar porque queremos e temos prazer nisso. Nos tiram os prazeres pelos relógios, celulares e aulas de um santo tudo. Nos roubam a nossa forma de dançar e de ler. Que loucura seria acordar e fazer o que eu quero ao invés do que eu tenho. O mundo hoje é cheio de ladrões de arco-íris, mas se você quiser, eu acredito que você ainda pode ter cor nesse mundo digital de preto e branco.

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