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O trauma interrompido

Ódio. Ódio. ÓDIO.

Ódio desse raciocínio da criança morrendo de fome na África. Em que momento os seres-humanos começaram a ficar tão desprovidos de bom-senso que começaram a pensar: "Ahá, sabe o que vai fazer aquela pessoa se sentir melhor? Saber que tem gente morrendo de fome, saber que tem gente que mata crianças acidentalmente, saber que tem gente que não tem emprego...". Será que eu sou a única pessoa do mundo que não encontro alegria na desgraça alheia?
E pior: se a intenção não for fazer a outra pessoa melhorar, só pode ser então a de emprestar a pá pra pessoa cavar o fundo da sua própria cova.

-'Eis o relato de que está uma merda'
-'Relato de crianças morrendo na África'
-Então cavo o túmulo?
-Isso!! A vida é uma merda. Toma aqui a pá.

SINCERAMENTE. Quando foi que deu errado? Parece a competição pela pior desgraça. Consolo zero, empatia zero. ZERO. ZERO. ZERO. E culpa e responsabilização voando para todos os lados... Faça oração, faça donativo, peça perdão, aprenda com isso, reflita. ACORDE MAIS CEDO PARA COMER UM CAFÉ DA MANHÃ QUE EU JULGO ADEQUADO E COM O TEMPO QUE EU ACHO QUE É CERTO PRA UMA PESSOA ESTAR ACORDADA ANTES DE SAIR DE CASA. Assim, talvez, você não passe pela situação de matar um gato.

"Mas foi só um acidente..." - fica ecoando a frase vazia depois de uma longa conversa.

Deixo aqui o desafio de você encontrar algum sentido no parágrafo acima.
Boa noite pra você e pra sua culpa, porque no mundo de hoje, tenho certeza que ela dorme ao seu lado que nem a minha.

E vamos nós. Responsabilidade, avante!

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