Alguém sabe realmente o que é ser desinteressante? Sempre vai ter alguém que vai levantar a mão ao ouvir essa pergunta e profanar tais palavras: 'Não ser interessante'. Uma palavra: Idiota. Pelo amor de Deus, eu sei tirar o prefixo de uma palavra e mecher com o significado óbvio da coisa. Juro que sei. E antes que alguém se manifeste quanto ao profanar (fazer uso indigno das coisas santas) fique sabendo que a língua portuguesa é bem santa na minha vida de amante das palavras. Mas voltando ao foco do texto, o desinteressante.
Existem categorias e níveis de ser ou não interessante, (digno de interesse, que desperta interesse, simpático, que tem encantos, atraente...) e eu posso afirmar que não faço parte de nenhuma sequer. Ser interessante é ter uma vida badalada com muitos acontecimentos e a última coisa realmente importante que me aconteceu foi ficar cega de sentidos e parar de perceber o mundo ao meu redor, nem mesmo as cores eu vejo. Ele chegou e colocou uma sombra em tudo, roubando toda a minha atenção para si, egoísta(indivíduo que trata só dos seus interesses), não?
Eu tento, tento e tento achar algo realmente interessante para escrever, como escola nova, vida nova, sentimentos novos... Mas em mim não é assim que acontece, comigo tudo anda velho, atolado na ausência de novidade e eu não tenho certeza de que deveria ser assim. Mas também não tenho certeza de que não deveria ser. São os mesmos problemas, os mesmos amigos, as mesmas obrigações, os mesmos desejos, o mesmo amor-não-correspondido-e-que-nunca-será, a mesma escola, tudo exatamente e perfeitamente igual desde não sei quando. Tirando a minha instabilidade emocional de adolescente e isso, eu culpo os hormônios que também são os mesmos, o estrogênio e a progesterona. Nada muda, mãos nos bolsos, pés fazendo círculos no chão, amém.
Mas acredite, existe apenas um tipo pior de pessoa desinteressante do que eu. São aquelas pessoas que tem palavras desinteressantes, cada morfema é uma tortura. Você não entende porque naquele dia que você quer discutir a formação das pontes de hidrogênio e o fato da molécula de água ser polarizada, ou até mesmo as mudanças de temperatura das escalas termométricas, chega aquele estraga prazeres pra te contar o que a mãe dele disse ontem, como foi o almoço dele (em detalhes de tudo que ele comeu), e todas essas outras besteiras e se você então pensa em um assunto alternativo (que atua ou procede revezadamente, em que há alternação) e solta uma daquelas pérolas sobre o último best seller, ou o último filme com a melhor crítica dos últimos meses... Sabe, para não ser tão, fora da realidade do indivíduo em questão, ele olha para a tua cara, diz como você é chata e fecha o assunto. Como se ele não fosse uma boa dose de remédio para dormir, até parece que você é a chata. Oi, você sabia que a região do seu cérebro que controla os novos conhecimentos deve ter sido DESTRUÍDA? Ahá.
Porque ser inteligente é desinteressante no mundo dos interessantes?
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