O bom e velho catálogo telefônico amarelo debaixo da mesinha do telefone. Sempre que precisamos de um número é só folhear as páginas meio manchadas, alguns números funcionam e outros não. Mas é sempre assim, esse é o jeito "catálogo" de ser. E sempre tem o número certo e alguém sempre vem ajudar a gente, por um preço ou por outro, você ganha o seu técnico do catálogo. Mas o mundo vai se tornar realmente evoluído quando dentro das páginas amarelas existirem números realmente úteis. Ah, e fixos também. Mas nós vamos falar dos úteis. Porque os números que existem nas páginas amarelas não são os números que você precisa, são placebos. O que você realmente quer quando o seu computador quebra, não é o número da assistência técnica pra te falar que você precisa de um HD novo, você quer o número da CDR, ou seja, Central de Raiva mais próxima de você, assim você consegue lidar com a dor de ver todas as suas fotos e vídeos sumirem. E quando o seu namorado te dá um fora e você sente a necessidade incontrolável e irracional de comer aquele pote de sorvete de chocolate que vai te dar extras 400 gramas pra se lembrar dele no dia seguinte, não é o número da mercearia que você quer, é o número do CCQ, ou seja, Central de Corações Quebrados. E aqui estamos. Chegamos na minha central, e eu fico (in)feliz de informar que estou no momento fazendo PHD na CCQ. Isso mesmo, eu disse PHD. Algum lugar na terra está a minha sorte, talvez um potinho de ouro escondido no pé do balanço, mas até eu achar o balanço certo, a vontade de errar na escolha do meu cupido, é mais forte do que eu. E isso dói, porque a gente só precisa ser concertado, quando tem alguma coisa quebrada ou algum pedacinho faltando. E nem sempre tem, porque de vez em quando a Felicidade veio na porta da nossa casa e nos levou pra tomar um sorvete, mas ela sempre nos devolve à casa e a colinha que segurava todos os pedaços juntos, começa a desgastar e os pedacinhos a sumir ou se perderem por aí. E a colinha só pode ser vendida quando vai ser usada, você precisa ter todos os pedacinhos pra colá-los juntos de volta. E como? Eu não posso ter todos os pedacinhos, porque por mais que seja difícil admitir e machuque o pouco de coração que ainda me falta quebrar, eu nunca tive todos os pedacinhos. É verdade que eu já catei a maioria, mas esqueci alguns pelo caminho e outros, bravos tigres não me deixaram pegar. E no fim de tudo, é mesmo como diz a música: "Who needs a heart when a heart can be broken?". (recomendo na voz da Lil Rounds.) Ou seja, quem precisa de um coração, quando esse pode ser quebrado?
Te digo, não tive escolha.
Nasci com o meu do jeitinho que é e das vezes que tive vontade de mudar, nunca dei a sorte (ou o azar), de discar o número certo nas minhas páginas amarelas. E a cada novo amor, mais uma vez eu recorro às lágrimas que molham as páginas amarelas e borram ainda mais as letras, que nunca resolvem.
O irônico?
O número da CCQ nunca ficou borrado.
Tá sempre lá escrito:
CCQ - A vida nunca é fácil, porque mudaria agora? 0102030408.
A CCQ, nunca mente, amigos.
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