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Sobre a saudade.

É possível sim, sentir saudades de algo que nunca se teve, eu sinto. Eu nem sei mesmo se a palavra seria saudade, mas é o termo mais simples e que chega mais perto do que eu sinto. Definitivamente é algo especial. Sabe aquele dia que você acorda e pensa como a vida seria linda se você pudesse acordar as nove da manhã, andar de shorts e suéter, com meias longas e edredons, aquele friozinho delicioso... Como seria bom, é saudade aquilo que se sente ao imaginar a cena e todas as sensações, você as conhece, em pensamento que seja, mas sabe como sente e sente falta. Não se precisa de um consentimento para isso, é natural. Acordar no meu apartamento branco de cortinas vinho, tomar um banho de água aquecida, ter um labrador lindo esparramado no sofá, que ama você e vai brincar com você, poder ficar embaixo do edredom naquele frio, só porque aquele imbecil te deu um fora e você chorou até derreter todo o seu rímel, quem se importa? Eu sinto saudades disso, só não sei por quê. Eu sinto saudade do que eu não tive e do que tive, mas não foi bom. E ainda assim faz falta. Eu sinto saudade de não precisar estudar, de brincar de construir castelos de areia, de sentar no colo da professora quando eu tava com sono, de ter uma lancheira da Barbie e levar a minha garrafinha térmica junto. Saudade de passear com meus patins e a minha bicicleta, sem nem me importar se ia acabar atropelando alguém. Saudade de nunca querer mais do que um sorvete, de brincar em todos os brinquedos de criança, saudade de ser abestada. E não de ser apenas idiota, como eu sou. Eu acho que eu sinto saudades de querer uma Barbie (dá pra comprar, sabia?!) e não um namorado (que não dá pra comprar e no meu caso então, huh.), de querer um ursinho de pelúcia (compra-se!) e não amigos para a vida toda (argh, é tão difícil virar dependente das pessoas!). Eu sinto falta de ser fútil e amar aquilo que se compra e não aquilo que se conquista e ama.

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