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Meu invisível

Eu sempre me senti completamente invisível. Para o mundo, as pessoas e até para mim mesma. Mas além de mim, tudo que eu amo anda ficando cada vez mais invisível. Imagino uma coisa tão forte e tão incrivelmente real dentro do peito, que machuca abrir os olhos e se deparar com o vazio. Sentir-me vazia com vontade de me esconder nos braços que são tão meus dentro de mim! Todos os conceitos de vazio estão sendo substituídos, os buracos que crescem dentro de mim estão ganhando nome e forma... Vazios. Eu sinto tão perto e tão forte, um toque aveludado em mim. Algumas partes eu não posso sentir, algumas coisas eu não posso imaginar, mas eu sinto no meu invisível que é assim. Parece tão certo. O único problema é ser tão... tão invisível. Eu nunca pensei que algo que não fosse visível pudesse ser um problema, acho que eu estava errada, de novo. Porque agora eu tenho o MEU invisível. É a minha pequena sensação de deitar debaixo das cobertas e pensar que eu queria poder enxergar e assim, resistir. 
Não me deixar ser dominada, saber o que fazer! 

Reagir. Agir. Pensar. 

D-e-f-e-n-e-s-t-r-a-d-o. Nunca me pareceu uma boa idéia antes, mas quem sabe? Não que eu esteja certa de apelar para a defenestração, mas eu quero fugir. Correr das sombras e ver algum sol, uma praia deserta. Eu quero estar sozinha... 
C-l-au-s-t-r-o-f-o-b-i-a. Eu me sinto assim, eu quero sempre correr. Eu quero abrir a porta da sala e sair correndo, eu passo horas me contendo dentro de mim mesma, respirando bem fundo para não correr e deixar que todas as lágrimas escapem. Eu estou trancada de pessoas! 

Eu estou trancada de pessoas! 

E eu quero ser livre de novo, não depender de ninguém e NÃO ter a minha claustrofobia de pessoas curada por ele estar lá, eu não quero que ele me faça querer ficar, eu quero que ele me obrigue a ir. Eu estou me sentindo encurralada em um labirinto sem fim, totalmente sem saída. A cada minuto sozinha que eu fico, eu rezo para que ele seja multiplicado. Porque?! Hahá! 
Eu não quero precisar explicar porque eu estou triste. 
Eu não quero dizer porque meu cabelo não está arrumado. 
Eu não quero fazer ninguém se sentir mal. 
Eu sinto falta de ser 100% invisível! Eu quero ser anônima de novo. Sem precisar assinar meu nome, sem precisar existir, sem me lembrar. E talvez eu precise me curar da claustrofobia (da de pessoas, principalmente) e até mesmo eu precise ser defenestrada, com uma queda longa e rajadas de vento cortante. Quem sabe, só a adrenalina me baste? Talvez todas todas as pessoas devessem ser como ele, lê-se: ignorar a minha existência de forma completa e total e me fazer ver e entender que eu não faria falta. 
Quem sabe seja pressão demais ser amada? Eu acho que eu não nasci pra isso. Não devo ter nascido. Quero achar-me em ti, antes mesmo de ter me achado em mim. Quero que tu me digas quem sou, que me construa pra ti. Eu só sei que quero que tu me queira.

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