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Meu universo paralelo

Eu já não sei mais quem culpar, eu já não sei se eu to inventando. Eu estou pulando de um precipício e o meu único medo é de não haver música e palavras por lá. Eu estou cortando os vínculos ao pouco, me afastando do carinho, dos abraços e dos beijos. Me deixando cada vez mais sozinha e me negando cada vez ao amor. Eu cheguei num ponto onde nenhum eu te amo é mais verdadeiro, eu perdi a capacidade de amar, eu sinto que eu estou morrendo por dentro e que tudo que existe perto da morte, é mentira, é forçado. Eu vejo as pessoas me deixando... sozinha. Mas a culpa é minha, foi eu que pedi, eu sou a culpada, eu estou errada. Eu leio livros até às quatro da manhã, durmo até meio dia, me tranco no quarto e fico a tarde na internet até que me obriguem a sair e então eu vejo TV e leio mais. Eu perdi o contato com o mundo e a capacidade de amar as vozes. Eu me sinto bem em estar sozinha, comer o que eu quero, fazer o que eu quero, sem pedir licença e desculpas a ninguém, eu estou construindo um universo paralelo só meu, onde só eu existo. Eu estou me auto descobrindo, me entendendo e me dando a oportunidade de não enlouquecer dentro de mim mesma. E perdendo a capacidade de amar, eu quero amar, eu amo, eu vivo do excesso de amor. Eu levei um tombo por causa de um amor errado, eu sofri dois anos por um amor calado e pra mim chega. Eu to fora do barco de amar, eu quero viver sozinha até cansar de mim e precisar de alguém pra não me matar, porque eu sinto muito mas eu já estou machucada demais pra esse dia e essa hora. CHEGA. Sempre está faltando alguma coisa, pessoas, carinho, ou tem coisas demais. Nunca é aquilo que eu preciso pra respirar livre. Eu gosto do silêncio e da calma, de ouvir a respiração e as letras da canção. Eu gosto de pensar em sentir as batidas de um coração, cada válvula, cada uma... É tão errado assim, querer desaparecer em todos para depois sumir em si mesma? O penúltimo estado da morte é a aceitação, eu não consigo aceitar mais nada, é a minha segurança de vida: A luta. E sinceramente, aquele que nunca perdeu um tempo sentindo que você era a última palavra em auto suficiência, deveria. Quando você se joga do barco do amor e diz a si mesma que vai praticar o auto conhecimento você começa a entender o que é ser humano, é mais do que respirar e andar. É sentir, querer, perder e ganhar. Você cultiva aquele egoísmo e aquela falta de amor e depois você sente que era a coisa mais necessária que você já fez na vida. Agora você entende finalmente o que é amar, da sua maneira. Amar de verdade em um universo paralelo. Amar de verdade, sendo sincero.

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