Pular para o conteúdo principal

Quando tudo acontece (?)

De repente - já adianto. De repente, tudo acontece. 
Parece que foi ontem quando eu estava desgastando as teclas do meu teclado amarelado, no auge da adolescência, derramando palavras com lágrima sobre dias e sentimentos que me pareciam sem fim. Independente de tudo isso, o relógio foi girando. E, de repente... Cá estou eu.

Num piscar de olhos, você passou a fazer parte de mim. É meio borrado o dia, naquele 2012, em que te vi pela primeira vez. Mas a minha simpatia você ganhou bem rápido... Seja aquele bilhetinho assinado "guarda aí pra lembrar de mim" ou o convite pra ir bem ali no tio da esquina comer um sanduíche antes da aula. Acho que eu nunca te disse, mas sempre que eu não podia ir, sentia como se estivesse perdendo um evento importante. Até então, era simplesmente uma companhia agradável. Um rapaz simpático, um colega de sala. Mesmo depois da convivência semanal acabar, passamos mais de um ano em eventuais encontros de amigos... Era um conforto saber que você estaria lá. Não me entenda mal, não haviam segundas intenções. Mas era bom saber que a conversa seria leve, que o encontro teria liga, que as risadas estavam em boas mãos. Sua presença acalmava o coração, pensando em retrospectiva, até mais do que talvez devesse.

Mas, até aquele sábado do dia 15 de março em 2014... Eu nunca pensei que algum dia poderia ser você a pessoa que iria fazer com que tudo mudasse. E sim, eu sei que você odeia meus exageros... Mas nesse caso é tudo mesmo. Tu-do. Você chegou sem pedir licença e sem aviso prévio - mais intenso do que um cometa, com a força de um maquinário de filmes Sci-Fi. E foi em algum momento por aí em que tudo começou. No início, só consigo lembrar o nervoso e os medos e os temores e "Pelo amor de Deus, o que que eu tô fazendo da minha vida, será uma vontade de fazer as loucuras da adolescência na fase adulta porque nunca fiz nada de errado nunca usei drogas será que vou usar drogas, ai meu Deus....". Por outro lado, a sensação que eu tenho é que eu sempre te amei. Como se uma parte de mim soubesse desde a primeira vez que te viu, mas manteve em segredo e não me disse nada. Ficou lá quietinha. E quando sua boca achou o caminho até a minha, ela sussurrou no meu ouvido "tá vendo agora? é ele, bobinha". Não acho que eu tenha começado a te amar só depois desse dia 15 - apesar de ter sido só depois dele que eu disse pela primeira vez. E acho que foi a primeira vez que eu disse certo. E que eu disse 'pra sempre' com a intenção verdadeira.

E, desde então, 2015, 2016 e 2017 já aconteceram. 2018 já tá batendo na nossa porta, mandando a gente comprar os nossos bolos de aniversário (porque organizados como só nós, nosso ano precisa começar junto com o calendário pra não ter confusão na programação). E eu ainda estou por aqui, tentando entender a lógica por trás de como tudo isso acontece. Desde que eu comecei a te amar (que já estabelecemos que pode ter sido naquele primeiro dia de 2012), que eu me apaixonei por cada detalhe de você. Algum dia a coletânea de textos que te diz pode descrever melhor o que eu vou tentar dizer nesse parágrafo, porque você é muita coisa. Você é pele branca, nuvens escuras, cabelo colorido, camadas profundas, torres fantasiosas, escritas metafórica, contos de realidade, histórias de amor, estórias épicas, coisas de menino, vida de adulto, história de homem, conhecimento de mundo, refinamento teórico, talento pra arte, letra de música... Você é instrumento que solta melodia, você é risada garantida todo dia, é lágrima sincera, tristeza profunda, superação, história de vida, curiosidade, respeito, privacidade, sinceridade extrema, livro aberto, coração restrito, mente inigualável. "Valorize suas curvas" - é filhote de gênio, aprendiz de lutador, cheio de força, curvas e inteligência. Você não cabe em parágrafos ou em palavras. Mas cabe bem direitinho no meu coração (mesmo ele desse tamanhinho). Você é economia, gastos, viagens, orçamento, organização e bagunça de domingo. É tomada de decisão, fiel, pra vida toda.

Quando você me perguntou ontem se eu não poderia ter deixado aquela passar, a resposta é sim. E digo mais, eu deveria ter deixado passar. Você merece que eu deixe passar umas quinhentas mil bobagens - mas talvez eu não consiga, porque - como você, eu sou exigente. E pra nós, eu sempre quero mais. Eu quero ser mais e melhor por você e para você - todo santo dia da nossa existência nessa Terra. Eu quero ser de mãos dadas, um coração só, pensamentos alinhados e um monte de coisa mais. Sabe como eu sei que é pra sempre? Você é difícil de amar. Você é muito! Não é todo mundo que consegue. Você é um potencial com efeitos de um desastre natural, você tem um brilho pra conquistar um mundo. Você é lindo. Talvez a maioria do mundo não entenda como é possível amar alguém assim - que parece invencível, inatingível, indescritível. E entendam menos ainda como é possível confiar de olhos fechados e "botar a mão no fogo". Talvez seja difícil confiar que é real, que um homão desse "pode ser tão bom assim". Talvez sua impaciência, seu nível de exigência, sua teimosia ou seus ritos sejam demais... Pra mim? Pra mim não. Eu aprendi a amar sua impaciência porque me obriga a ser mais paciente. Aprendi a amar sua exigência porque me faz ser uma pessoa melhor. Aprendi a amar sua teimosia porque é meu espelho pra melhorarmos juntos. Aprendi a amar seus ritos porque são o que fazem de você, você... E eu JAMAIS quero que você mude a casquinha ou a essência desse seu super SER. E eu quero te empurrar pro topo do mundo e ir junto. Porque sim, você é tão imenso que ofusca meio mundo... Mas eu acho que a minha missão foi vir preparada pra tudo isso, pra te dar a liberdade, a força e o apoio que você precisar. Ah! E pra te lembrar todos os dias que eu te amo, que SIM, VOCÊ É TUDO ISSO. E que eu quero passar o resto da minha vida com você.

Acho que nunca vai ser possível dizer exatamente quando tudo acontece, mas por mim, está tudo bem. Desde que tudo que aconteça daqui pra frente, seja com você.

Para o meu M favorito.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O momento exato

Quando é que deixa de ser fácil? Em qual momento da vida as pessoas passam a saber palavras demais que conseguem deixar q ualquer conversa muito complexa, muito difícil, extensa e longa... quando as pessoas aprendem a dizer:  pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconióticos , que é a maior palavra da língua portuguesa? Mas eu lembro que quando eu a aprendi, eu só sabia ela, então talvez o mo mento não seja esse. Mas também, quando eu aprendi me disseram que era a maior palavra do mundo, mais complexamente, o mundo é maior e as palavras das outras gramáticas também. Às vezes eu tenho a sensação de ser tudo um ciclo círculo sem fim! Quando é que as amizades se tornam desconfiadas? Em que momento da vida perdemos a capacidade de nos dar bem com qualquer criança e sempre chamar uma a mais pra brincar? Será que é um efeito da independência ou a independência é um efeito da complexidade? Às vezes penso que o momento onde tudo acontece é quando entramos em contato com o nosso vazio, aqu...

O seco

Eu sinto a minha boca seca, desgosto. Eu sinto a garganta seca, desespero. Eu sinto meus olhos secos, não há mais lágrimas. O coração antes de todos foi o que secou primeiro, a dor corroeu meu corpo, eu finalmente morri por inteiro. Eu não agüento ser de pedaços, já nem sei por onde começar a juntar todos os pedaços de mim, já nem sei se posso ser uma só novamente. Só me restam meus pedaços, perguntas mal respondidas e sorrisos que não eram para mim. Não me contento com os restos, eu quero me sentir inteira e verdadeira por um único minuto na vida. Eu quero olhar no espelho e ver que eu superei o passado, sei viver o presente e não vou mais estar completamente morta no futuro. Eu quero ganhar um motivo para sorrir por inteiro, eu quero ser amada por inteiro, eu quero me jogar em todas as emoções por inteiro, a minha vida toda eu vivi em pedaços de pensamentos e cautela, eu quero quebrar as regras e acabar com todas elas. E não adianta que por mais que as lágrimas acabem, ela volta e m...

Clichê

Eu não sou uma fruta, eu tenho ossos, músculos e articulações. Eu não posso ser a metade de uma laranja. Eu não sou uma fruta. Isso é tudo um grande clichê. E quer saber? O mundo também não é redondo, isso é clichê. O mundo deve ser tão quadrado quanto as pessoas que moram nele, elas aquadradaram o mundo. Elas são clichês ambulantes que cospem frases decoradas pra fingirem uma superioridade falsa, mas elas que me provem que tem o mais importante. Que tem frutas, que tem metades, que tem laranjas. Elas não tem laranjas, elas tem livros. Eu também tenho livros, a diferença é que eu não os leio. Porque eu procuro frutas, porque eu sou um clichê redondo-fruta-laranja. Eu procuro frutas embaixo da mesa e em cima da pia e eu deixo o livro aberto juntando poeira, na mesma página, por dias. E talvez, eu seja o clichê. Talvez eu tenha me tornado clichê apenas pelo número de vezes que eu proferi tal vocábulo hoje, talvez eu seja clichê por querer exercer meu léxico requintado. Mas que não seja c...