Durante muito tempo, eu escrevi meus textos para as forças cósmicas do universo. No meio de lágrimas, suspiros e dúvidas, rabisquei todos os papéis e telas que estavam ao meu alcance em busca de algo que não tinha nome - e que mais tarde eu viria a descobrir que nem sequer existia. Já faz algum tempo que eu passei a escrever meus textos para você. Alguma coisa sobre seu encanto da realidade, faz com que as palavras saiam com uma maior leveza e se organizem em torno de um maior amor. Alguma coisa sobre você faz 'te contar' ser um mistério envolvente, quente, charmoso... E cá estou eu. Hoje, estranhamente, para contar uma história longa. Em resumo, vim falar de futuro. Parei pra pensar um pouco sobre o caminhão que anda estacionado nas minhas costas: 'Caminhão, como é seu nome?'. Claro, ele não me respondeu. Mas vi que era longínquo e confuso! Parece ou não parece com futuro? Durante toda a minha vida, não pensei muito no futuro. Sempre fui muito imediatista, aqui e agora, o que acontece hoje pode ser o fim de tudo e o começo de tudo. Pode ser tudo e nada, pode ser fatal. Aí os anos foram passando, na escola o meu imediatismo, além de ser compartilhado, parecia fazer muito sentido. Todos nós tínhamos certeza que o que acontecia amanhã definiria todas as nossas vidas para sempre - ou algo nesse mesmo sentido e um pouco menos dramático. Chegou o vestibular, como um cobertor gelado em uma noite nas montanhas do Alasca, trazendo consigo o primeiro desespero. Mas, por algum motivo, os dramas amorosos pareciam ser fatos bem mais graves, as notas pareciam ir bem e o vestibular foi chegando, foi passando e sem nem perceber: cheguei na UFC. Psicologia. Até então, era quase como uma outra escola: faça suas provas, estude, pronto... A matemática era simples, pouco sujeita a erros e o conforto de 'ser estudante' ainda me mantinha com a respiração controlada no passo a passo da vida. A vida amorosa foi ficando mais estável, assim como as amizades e os dias em geral. Aí você poderia pensar: "Já sei, nas próximas linhas ela vai dizer que aí chegou o mestrado e ela nem sabe como chegou lá e blablablá". É aqui que a coisa complica, empolitica, critica. Saí da graduação querendo um novo começo e, no máximo, sinto que estou falhando em conseguir uma simples continuação. Drama? Infelizmente não. Uma pulsante realidade dilaceradora. Quero ser professora - quero atender na clínica. Quero os dois, consegui tomar essa decisão que foi um parto externo, interno e psicológico - do qual a humanização passou longe! Mas consegui. Não sei nem se é a escolha certa, talvez valha ressaltar. Mas a tomei. Comigo e para mim. Mas o mestrado já veio cheio de erros, cheio de 'não quero ir', cheios de 'vou fazer algo sobre um tema qualquer de novo', cheio de frustrações, erros, omissões, medos e sentimentos ruins que o rodeavam. Tudo isso tornou o mestrado escuro. Tudo isso me tornou uma aluna sem correção, sem jeito. Me reduzi a uma pessoa que "precisa terminar algo custe o que custar", porque não interessa a jornada e sim, o diploma do final. Mas eu vivi minha vida toda, até aqui, pela jornada! O final ia chegando, mas a delícia e o prazer da jornada sempre foram os melhores presentes. Como fazer quando você precisa aguentar o intragável por dois anos? Como fazer pra não sentir e só pensar no 'lucro'?
Quando acontece essa mudança na vida em que deixamos de ir com calma e nos desesperamos, nos submetemos a tudo por uma finalidade?
O futuro se tornou pesado, cheio de dúvidas. Aguentar por dois anos é o início de uma narrativa que passa por ter medo, por precisar produzir incessantemente - mesmo na incapacidade de florescer, por não saber como viver assim, por achar que vai falhar miseravelmente e não conseguir entrar no doutorado/achar o tal do emprego.
O caminhão? Quem estacionou fui eu. Mas perdi as chaves.
Me resta saber se tenho a habilidade de ligar pro guincho - acredito que tenho...
À você,
Me desculpa. Meu coração é todo seu - essa bagunça é só minha. Enquanto procuro o telefone do guicho, farei meu melhor para aprender a separar bem as duas coisas.
Quando acontece essa mudança na vida em que deixamos de ir com calma e nos desesperamos, nos submetemos a tudo por uma finalidade?
O futuro se tornou pesado, cheio de dúvidas. Aguentar por dois anos é o início de uma narrativa que passa por ter medo, por precisar produzir incessantemente - mesmo na incapacidade de florescer, por não saber como viver assim, por achar que vai falhar miseravelmente e não conseguir entrar no doutorado/achar o tal do emprego.
O caminhão? Quem estacionou fui eu. Mas perdi as chaves.
Me resta saber se tenho a habilidade de ligar pro guincho - acredito que tenho...
À você,
Me desculpa. Meu coração é todo seu - essa bagunça é só minha. Enquanto procuro o telefone do guicho, farei meu melhor para aprender a separar bem as duas coisas.
Comentários
Postar um comentário