É incrível o poder da ditadura da felicidade. Estamos vivendo num mundo em que, cada vez mais, as pessoas se tornam insensíveis e intolerantes à dor dos outros e à sua própria. Devemos estar sempre bem, sempre felizes, sempre sem reclamar, sempre sabendo lidar com os nossos próprios problemas - no mínimo, não é mesmo? Por favor, tenham maturidade suficiente pra não atrapalhar o precioso andamento da minha vida.
A gente tenta abrir nosso coração e falar... A amiga diz que "tu deve ter ficado receosa de falar porque nós não somos amigas que reclamamos das coisas né" - com aquele 'diferente de ti' bem implícito. O namorado diz "tu não acha que tá me sobrecarregando não?". Sim, galera, acho que reclamo e acho que estou sobrecarregando sim. Sim e sim, mil vezes sim. Estou sobrecarregada e magoada, pensei que podia ir de mãos dadas, mas sou """"madura"""" o suficiente para enfrentar sozinha, não se preocupem. Minha fraqueza não irá se repetir.
"Mas é só comigo, eu que sou chata". De todos os pacientes que eu atendi esse ano, todos tem a mesma queixa de solidão, de não ter com quem falar, de serem incompreendidos, de não ser permitido sofrer. Cerca de 20 pessoas e tá todo mundo chato? Ando começando a pensar que no mundo não tem mais ninguém legal, quando tentamos enquadrar na categoria social do "legal", que inclui uma pessoa sempre feliz, sempre bem, auto-estima elevada... Basicamente, um boneco de plástico com sorriso largo e boa capacidade cognitiva para elaboração de piadas. Ah, venha cá, reforço social.
Parece que temos o dever e a obrigação de superar as coisas rápido. Porque tudo bem tu sofrer, eu te ajudo, beleza... Mas três meses depois tu ainda tá sofrendo? Pelo amor de Deus né? Eu tenho meus próprios problemas, eu tenho que estudar, eu tenho que cuidar de mim. Isso já é trabalho suficiente. Então, fica aí com os teus e não me atrapalha. Tu não cabe na minha lista de problemas da semana. Segura aí as pontas.
Aí quando tem gente dentro do consultório querendo tentar suicídio porque "estou sozinha e ninguém sentiria minha falta", imagina a minha cara de pau de dizer: sentiriam sim, às vezes não enxergamos as coisas como elas realmente são. A-ha... Eu acredito que ela enxergue muito bem a falta de sensibilidade e paciência do mundo e, infelizmente, palavras breves de cuidado é tudo que eu posso ofertar. Não queira averiguar a veracidade, quem sabe ela não encontre mesmo razões para ficar. Eu, no caso, espero que sim. Espero que antes de sermos psicólogos de nossos pacientes, possamos ser de nossos amigos, namorados, parentes e assim vai. Mas fica o desejo... Que, na lógica de hoje em dia, fica pra quando "der tempo". Não pertuba não, ave maria!
Geração "vai dar certo", "aguenta aí".
"Mas é só comigo, eu que sou chata". De todos os pacientes que eu atendi esse ano, todos tem a mesma queixa de solidão, de não ter com quem falar, de serem incompreendidos, de não ser permitido sofrer. Cerca de 20 pessoas e tá todo mundo chato? Ando começando a pensar que no mundo não tem mais ninguém legal, quando tentamos enquadrar na categoria social do "legal", que inclui uma pessoa sempre feliz, sempre bem, auto-estima elevada... Basicamente, um boneco de plástico com sorriso largo e boa capacidade cognitiva para elaboração de piadas. Ah, venha cá, reforço social.
Parece que temos o dever e a obrigação de superar as coisas rápido. Porque tudo bem tu sofrer, eu te ajudo, beleza... Mas três meses depois tu ainda tá sofrendo? Pelo amor de Deus né? Eu tenho meus próprios problemas, eu tenho que estudar, eu tenho que cuidar de mim. Isso já é trabalho suficiente. Então, fica aí com os teus e não me atrapalha. Tu não cabe na minha lista de problemas da semana. Segura aí as pontas.
Aí quando tem gente dentro do consultório querendo tentar suicídio porque "estou sozinha e ninguém sentiria minha falta", imagina a minha cara de pau de dizer: sentiriam sim, às vezes não enxergamos as coisas como elas realmente são. A-ha... Eu acredito que ela enxergue muito bem a falta de sensibilidade e paciência do mundo e, infelizmente, palavras breves de cuidado é tudo que eu posso ofertar. Não queira averiguar a veracidade, quem sabe ela não encontre mesmo razões para ficar. Eu, no caso, espero que sim. Espero que antes de sermos psicólogos de nossos pacientes, possamos ser de nossos amigos, namorados, parentes e assim vai. Mas fica o desejo... Que, na lógica de hoje em dia, fica pra quando "der tempo". Não pertuba não, ave maria!
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