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Re(viver)ler.

Quando eu leio meus textos antigos, sinto como se ressurgissem medos infantis em mim. Sei que eu cheguei até aqui de alguma forma, sei que todos os dias fiz tudo da forma mais bonita que eu pude, dei meu melhor, tentei acertar. E só isso deveria importar, porque isso é evolução, é seguir em frente. Certo? Talvez.
Mas hoje, meus medos são outros, são menores, porém mais reais. Tenho medo da fluidez do tempo, tenho medo dos anos que passaram tão rápido, tenho medo das sensações que esqueci tão completamente que parecem que nunca foram minhas. Tenho medo daquilo que é passageiro. Tenho medo da tristeza que sinto ao reler palavras que já não fazem mais sentido, amores que já não despertam mais nada. Como dizia Ana Carolina em um de seus refrões: "Era disso que eu tinha medo, do que não ficava pra sempre".
Como confiar em um mundo no qual as pessoas podem sentir novas coisas o tempo todo? Coisas que podem superar a intensidade de tudo que já sentiram antes, coisas que podem fazer a pessoa recomeçar, jogar fora tudo que tem? Como confiar em si mesmo?
Vivemos com medo, apoiados em um "seja eterno enquanto dure" para que nos console, visto que é inviável "ser responsável por tudo que cativamos".

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