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Sobre as palpitações.


"O mais estranho nas casas é que quase sempre elas dão a impressão de que não tem nada acontecendo do lado de dentro, embora a maior parte das nossas vidas seja passada lá. Fiquei me perguntando se esse seria mais ou menos o objetivo da arquitetura." (The Fault in our Stars)

Coração acelerado sempre foram duas palavras capazes de me descrever perante à vi
da. Mas devoradora de dedos são novos termos que acho que já podem ser devidamente estabelecidos como descritores de mim; eu ando numa ansiedade tão constante, que quando eu olho estou balançando as pernas feito um corredor de maratona, mastigando os dedos feito um obeso e coçando um olhos como um cego que clama por voltar a enxergar. E porque? Futuro.
Aí parece que quando você tá ligada no 220Volts durante muitas horas chega uma bendita hora em que você desliga. E você fica letárgica, calma, quase morta... com um coração desesperado dentro da cavidade do peito, claro. E aí você tem algumas horas naquela prisão interna pra tomar consciência do fenômeno vida que está engolindo você.
É a frustração de não ter conseguido estudar para aquela prova; é sim. É o cansaço de não estar dando conta; sim, contribui sempre. É a agonia de perceber que não tem a menor ideia do que quer fazer pelos próximos 20 anos da sua vida; é também. Mas é maior do que isso, esses são os tijolos; mas a casa é a arquitetura que esconde: o medo. Sim, medo. Aquela emoção fundamental e básica dos instintos de sobrevivência que aqui aparece com toda uma história de condicionamento. É medo de que vá tudo permanecer como está e medo de que mude. Sabe qual o nome disso? Medo do Futuro.
Porque tá ótimo eu sair por aí fingindo que lido bem com a vida me levando, com os dias passando... Eu nunca lidei bem com nada me levando. Sou uma daquelas pessoas insuportáveis que preferiam saber tudo; todos os porquês e toda a verdade, por mais cruel que ela fosse eu me regozijaria no prazer de SABER e faria paz com a "minha sentença", fosse ela qual for. Mas não há essa possibilidade. Então eu fico presa em meio às minhas decisões e faltas, tentando todos os dias ser uma versão melhor de mim mesma... E, vez em quando(s), me encontro hiperventilando em meio à um sábado. Acho que é sobrecarga o nome disso. Acho que é recarga, também.

Ah, e pro meu namorado, que é o homem mais lindo e o melhor que eu já conheci... Eu queria dizer que não era com você. Nunca é, você é sempre a tomada que repõe minhas energias. É só uma pequena incapacidade de lidar com frustrações e metas com a qual a sua namorada precisa aprender melhor a lidar. Basicamente, ela precisa aprender melhor a viver - mas não conta pra ela que ela gosta da ideia de já saber de tudo. Te amo, obrigada por ser tão branco e ter paciência comigo naquele abraço tão quente que me cura de tudo isso. Você é Mil Mar(cos)es. É tudo pra mim.

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