Bam! - fechou-se a porta.
Hoje eu precisei de uma palavra maior que desculpas, mas senão isso, ainda assim: te dou tudo de mim.
Dizem que não adianta chorar pelo leite derramado, pois ele não voltará ao copo. Mas não existe razão para que não se limpe da melhor maneira que você puder; chame do que quiser... redução de danos, talvez. Mas nesse caso específico, do qual estou falando, eu chamei de amar. Hoje eu precisei de uma palavra maior que desculpas, hoje pela primeira vez eu perdi toda a razão que nem sei se tinha, hoje pela primeira vez fiquei sem voz enquanto gritava o mais alto que eu já havia gritado em agonia; as lágrimas foram uma extensão do grito e da vergonha. Não havia como des-derramar o leite, não havia como... Tive que aceitar. Mas eu precisava limpá-lo, mesmo sem saber como - e por não saber como, acho que ainda estou tentando. E não se engane, não sinta pena, é preciso cair para aprender e sinto orgulho em ralar meus joelhos, mesmo que eu me envergonhe com a queda - mais ainda em não permitir que a queda se repita; aprendendo.
Hoje eu te senti distante do meu coração; calma, nenhum laço foi rompido, mas na fusão de lego houve um desencaixe e foi do terremoto que eu causei que ela desencaixou. Dos maiores dos castigos para qualquer coisa que fosse: esse. Meu coração entrou em parafuso taquicárdico num completo desespero; ele queria saber o que estava acontecendo no seu outro-pedaço-lego, mas não via como. Meu coração batia três vezes mais forte com a chama da vontade de rearrumar os legos pro lugar.
A onda frenética acalmou num mar de sono, a mágoa quieta se instalou. Se instalou?
"Quem é você? Essa ou aquela?", fiquei com medo de pensar que talvez eu seja as duas. Mas uma coisa eu tenho certeza, de quem eu quero ser; e quero ser essa. Sou essa; essa que é sua; que vai te fazer feliz; que vai fazer o que puder pra não mais te magoar. Não podemos prometer que não vamos brigar, não posso prometer que não vou mais errar; mas acho que não há vergonha em prometer assumir meus erros e tentar concertá-los. Errado aquele que erra, mais errado o que permanece no erro - acho que alguém já disse algo assim em algum lugar. Errei, errei feio e alto, machuquei meu coração três vezes: uma machucando o meu próprio e mais duas, porque a dor é dobrada quando eu machuco o seu. Se penitências ajudassem, pagaria todas; mas sei que para as mágoas só o tempo e para a dor, só o amor. Por isso chamei de AMAR a minha arrumação do leite; porque é o que eu posso fazer; te amar com tudo que eu tenho até que toda a dor vá embora e o que é grande se torne pequeno com um beijo do tempo.
Hoje eu precisei de uma palavra maior que desculpas, mas senão isso, ainda assim: te dou tudo de mim.
Amor! - abriram-se as portas do meu coração.
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