Quem poderá dizer que hoje não amei para sempre, se ninguém sabe dizer até quando o para sempre é? Fiquei inundada, consumida, submergida, esmagada... Ou melhor, estou! Melhor ainda: SOU! Sou assim te amando, sou assim ao te amar. E te amo me submergindo por todos os minutos, pelos últimos 355.680 minutos. Você, desacreditado, me grita que são poucos se comparados à eternidade. Te respondo que tente ficar em águas calmas submergido por tais minutos, me diga se ainda respiras. me diga se a tua eternidade é maior que a minha, se o teu tempo tem mais valor.
Se o tempo é relativo, em que se mede o amor? Em que se mede a minha "prasempridão"? Como eu calculo as ondas radioativas que você gera no meu corpo? Como eu meço a camada protetora que me circunda quando você enlaça sua mão na minha? Como eu descrevo em numerais exatos o que eu sinto nesse órgão coração? Como eu abarco em fita métrica meus batimentos dessincronizados que fazem sinfonia no decorrer do dia pra tocar na mais leve melodia o som de um grande amor?
Um, dois, três, quatro... Pra sempre! Oito parasempre meses. Duzentos e quarenta e sete parasempre dias. E ai de quem diga ou pense em me dizer que não foram para sempre e que para sempre, não serão para sempre, meus dias de te amando. Abuso do gerúndio, abuso dos números e esse amor abusa de mim. Leva-me a coesão, leva-me a coerência, leva-me... Espalha-me... Espande-me. Você-me. E ainda aumenta, se é que você entende meu incoeso sentido. Aumenta, meu amigo incrédulo, te digo. Aumenta.
Pensei num dia de sol abafado que amar era jogar a alma e o corpo em cima de alguém que amparasse a queda e curasse as lascas, mas descobri que amar é nem deixar cair. É ir limpando cada ferida devagarzinho estando sempre por perto. É não permitir nunca que a pessoa rebole ou corpo - ou a alma, porque são dela - são lindos, livres, perfeitos e amados. Nesse caso, por mim. Será que está dando para me entender? Meu ponto é que são livres dentro de um pra sempre, que em si, já é infinito. Meu ponto é que nada disso vai importar se você entender o que eu realmente estou falando. Vou te ajudar, caro amigo, estou falando de amar. Estou falando também do meu amor. E pra falar disso, como sempre, estou falando dele. (M)
Descobri um amor menos poético, você pode retrucar. Te digo que a poesia é dentro e que o amor é fora. Te digo que o amor é dentro quando a poesia extrapola. Mas não se preocupe se não entendeu, que eu ainda hei de explicar. O que há de poético na dor? Aposto como você sabe a resposta. Te surpreenderia se eu contasse que há a mesma poesia na alegria? Imagine a dor de amar. Forte, famosa, pulsante. Imagine a alegria de amar: ainda mais forte, mais pulsante e menos famosa; por ser discreta como o sorriso da Monalisa, discutem e discutem se existe... Ao invés de viverem o momento de apreciar o riso e se deleitar com a obra. Quando o amor extrapola ele é obra, poema, poesia, momento, entrega e vida. Ele é mesmo que você não seja. Mas que pena eu sinto de você se você não for.
Quero dizer que a poesia nasce do deleite, da entrega... E se é melhor ser alegre que ser triste, ao menos dizem... Porque não ser alegre para sempre hoje, se te amo tanto?

Comentários
Postar um comentário