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Laços Invisíveis

A vida deixa a gente tão cheios de cicatrizes, marcados, doídos, custosos. São tantas marcas inapagáveis, que expressam tantas dores que se sobrepõem num um a um.
Alguém já lhe falou do primeiro grande amor? Aquele que a pessoa nunca esqueceu? Aquele que foi arrebatador e eterno? Não é nada daquilo, não é que tinha sido o melhor e muito menos será a pessoa que você mais amou. Nada disso, se você olhar direito eram dois imaturos e mal sabiam do amor. Tenha durado dois ou dez anos: tudo muda depois da primeira cicatriz. Depois da primeira marca, não há volta. No primeiro amor, a diferença é que não haviam cicatrizes, eram tudo sonhos, felicidade e possibilidade. Aquela pessoa era, de fato, com quem você ia ficar e amar para sempre. Vocês acreditavam nisso como se fosse uma verdade óbvia, e o que é pior: simples.
Aí vem a primeira cicatriz, do tal do primeiro amor - que na lembrança da maioria das pessoas a cicatriz é apagada e ficam as memórias nostalgicas de outro você, e você começa a construir muros de proteção, por motivos de dor demais. E "nunca mais dou tantos presentes assim", "não tem perigo de alguém me fazer agüentar isso de novo", "jamais vou passar por isso". Essa é a realidade, é isso que acontece com cada coração.
Agora imaginem: se você tem dez cicatrizes e seu segundo namorado tem vinte, vocês tem trinta cicatrizes. Se você tem vinte e seu terceiro namorado tem quarenta, vocês juntos tem sessenta. E com o passar dos anos, o aumento das cicatrizes, o aumento das restrições... E alguém ainda se pergunta o porque da nostalgia.
Aí você se apaixona de novo, uma parte de você quer acreditar que é tudo novo.
Mas... Como?

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