O momento é uma das coisas que nunca nos damos conta. Você sabia que nesse exato momento que eu estou escrevendo e que você está lendo esse texto, {não exatamente na mesma hora e momento, claro}, o tanto de coisas que acontecem no mundo? Tem toda aquela parte boa: pessoas em boates, namoros começando, alguém sendo pedida em casamento, uma criança sendo adotada, outras nascendo, têm solteiras frenéticas bebendo champagne a noite inteira, tem outras chorando no banheiro porque estão solteiras, tem senhoras dormindo com aquele cara de cinqüenta anos de casado, tem outras acordando e tem um monte de gente acordada. Tem toda aquela parte estranha: adolescentes escrevendo teorias de conspiração, outras escrevendo seus sonhos em diários, tem milhões de pessoas vendo seus filmes e seriados favoritos, tem algumas se culpando pelo que fizeram, tem outras se culpando pelo que os outros fizeram, tem diabéticos comendo doce, cabelos sendo tirados da escova, sendo cortados e arrumados, tem gente se casando, tem gente se separando, tem gente se beijando, tem gente transando, tem gente se xingando, tem gente lembrando a infância e gente pensando no futuro. Tem aquela parte horrível: tem gente morrendo de fome, gente sendo enterrada, gente cometendo suicídio e gente sendo assassinada. Tem gente doente, tem gente que não acredita mais em nada, tem ingênuos que acreditam em tudo e céticos que não acreditam em nada. Tem aqueles que amam e aqueles que odeiam, tem os apaixonados e os assassinos. Tem tanta gente fazendo tantas coisas que em meio a tudo isso a maioria esquece-se de ser gente. A solteira frenética que está bebendo champagne com o cachorro que ela ama, podia estar tentando ajudar quem precisa na África e está morrendo de fome no exato momento em que o champagne passa pela garganta da moça. Tem gente que não sabe o que é ser gente, tem gente que aos 40 descobre que nunca foi gente, tem gente que chora por não saber amar a gente e tem gente que sofre por amar todo tipo de gente. Alguém já parou para pensar no conceito de gente? {Eu, particularmente não gosto do conceito de gente, mas sim do conceito de mente, mas isso realmente não importa}. No dicionário dizem que é o mesmo que nós, o pronome. Diz que pode significar raça, família. Pode ser ainda a quantidade de pessoas, um povo, a população, toda a humanidade, o pessoal de estabelecimento, uma classe, categoria social, uma força armada, uma pessoa de valimento. Eu discordo de todos, quer ver? Tudo bem que seja o mesmo do pronome nós, quem sou eu para brigar com a complexidade da língua portuguesa? Raça é um conceito antiquado que não existe, respira, é humano e está vivo? {Se bem que, os mortos são gente, gente morta... mas gente} É humano, é gente. Não há raça que separe isso, há diferenças e eu realmente não ligo para elas. E nem me importo com o resto, ser gente é ser nós, ser humanos e agir como humanos. Olhe para a frente e pense um pouco em tudo o que está acontecendo nesse momento.
Quando é que deixa de ser fácil? Em qual momento da vida as pessoas passam a saber palavras demais que conseguem deixar q ualquer conversa muito complexa, muito difícil, extensa e longa... quando as pessoas aprendem a dizer: pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconióticos , que é a maior palavra da língua portuguesa? Mas eu lembro que quando eu a aprendi, eu só sabia ela, então talvez o mo mento não seja esse. Mas também, quando eu aprendi me disseram que era a maior palavra do mundo, mais complexamente, o mundo é maior e as palavras das outras gramáticas também. Às vezes eu tenho a sensação de ser tudo um ciclo círculo sem fim! Quando é que as amizades se tornam desconfiadas? Em que momento da vida perdemos a capacidade de nos dar bem com qualquer criança e sempre chamar uma a mais pra brincar? Será que é um efeito da independência ou a independência é um efeito da complexidade? Às vezes penso que o momento onde tudo acontece é quando entramos em contato com o nosso vazio, aqu...
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