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Dezmilhõesdeanosatrás.

Parece que faz décadas, séculos, milênios!... desde que você me disse que eu era do tamanho perfeito pra abraçar. Mas a realidade é que fazem cinco longos anos, tão longos, tão curvos.
Parece que faz bicentenários, anos luz!... desde que você me disse que precisava de um tempo, que achava que no seu coração não tinha mais amor e que eu te dei um abraço, quase como esse da foto. Mas na realidade, fazem apenas três meses, menos de cem 'vinte-e-quatro-horas'.
Mas se a alma sente que passou tanto tempo, se o coração já mudou a batida e se tanta coisa passou... Porque o cérebro faz que a dor dê a exata sensação que os últimos seis anos aconteceram ontem? Num ontem frenético, digno de filmes, onde começamos duas crianças de treze anos e terminamos adultos de dezenove, completamente devastados. Quem sabe o filme ainda não tenha terminado e por isso o final esteja tão ruim, ou, quem sabe, seja um filme francês. Espero que não seja um filme francês.
Quanta sorte viver um amor assim e que azar viver um amor assim. Quanta dor esse amor, quanto amor nessa dor. E se a gente pudesse escolher, como teria sido?

À ti, P. Com carinho, sempre.

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