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Lotados e vazios.

Eu andei pela rua durante toda a madrugada, não andei andando, mas andei dirigindo. Andando nem poderia com um channel salto 20, nem poderia. Parei no estacionamento daquela lanchonete idiota, parecia que eu podia ver você e eu dividindo o sanduíche. Maldito sanduíche. Maldita lanchonete. Maldito você. Maldito estacionamento lotado. Maldito carro vazio. Eu, num silêncio perturbador, nesse carro fechado. E o estacionamento lotado. São tão injustos e irônicos os vazios e lotados do mundo. Maldito otimismo, manter em mente, aprisionado: 'O copo está sempre metade cheio'. Agora, me fala, quem foi o idiota que disse isso? Eu enchi o copo, ele estava cheio. Eu bebi metade, a metade que eu bebi não existe mais, portanto ele está metade vazio. E não me importam o que digam, à lá Shania Twain: 'No meu carro, eu sou a motorista'. Eu sonhei um sonho lotado, repleto de vazios. Tanta gente sem rosto, tantos corpos sem calor, tanto tempo sem você. Vem dirigir comigo e parar nesse estacionamento lotado. Deixa eu sonhar um sonho vazio, cheio de pedaços lotados de amor, paz e alegria. Eu ando precisando de um lotado, um cheio e um muito, nessa vida boba de quase nada. Vida de nada, de coisa nenhuma...

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